quarta-feira, 21 de julho de 2010

Sabedoria

Esta me foi contada por uma médica amiga que, além do consultório, trabalha também em um hospital (ou ambulatório) público.

Um de seus pacientes no atendimento público é alcoólatra, já sem beber há mais de trinta anos.  Quem triunfa sobre uma doença como essa merece nosso respeito.

Acostumado com o processo tradicionalmente usado para tratar dependência, sempre que acaba uma consulta com a médica, ele se despede desejando que ela "seja feliz nas próximas vinte e quatro horas".

Quando ela me contou, rimos muito e observei quanta sabedoria há em sua despedida.  A vida é para ser vivida assim, um dia de cada vez.  Fazer planos sim; cuidar do futuro sim; mas viver o hoje.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

José Saramago, uma grande perda

Com o falecimento do escritor português José Saramago, estão de luto os que pensam, questionam, ironizam a vida e gostam de bons escritos.

Leio no site de O Globo a manifestação do Sr. Aguinaldo Silva a respeito:

"Se eu gostava de José Saramago? Da pessoa nem um pouco, do ser político menos ainda e do escritor... eu achava ele acima da média, só isso. José Saramago tinha um problema que nunca conseguiu superar: na vida como na arte fazia questão de ser um chato, um verdadeiro pentelho. De qualquer modo, depois que ninguém mais se lembrar de mim os livros de José Saramago ainda continuarão a ser lidos".

Respeito a opinião do Sr. Aguinaldo Silva, embora dele discorde, à exceção da última frase: realmente, depois que ninguém mais se lembrar dele - o que provavelmente não levará muito tempo - os livros de José Saramago ainda continuarão a ser lidos e apreciados por muitos durante muito, muito tempo.

sábado, 12 de junho de 2010

Andei sumido

Depois de uns quinze dias sumido - uma semana viajando e depois enrolado com o trabalho, volto a postar algumas fotos.

Por mais de vinte anos trabalhei no Centro da cidade.  Há cerca de um ano e meio estou trabalhando em outro local, um tanto isolado e longe de quase tudo.  Sinto enorme saudade do Centro, com sua agitação, suas mazelas, camelôs e ladrões no Largo da Carioca, lojas, restaurantes, gente conhecida, gente desconhecida.

Ontem passei o dia no Centro e, na hora do almoço, caminhei do Largo da Carioca até o Mercado das Flores (hoje é Dia dos Namorados...), pela Gonçalves Dias.  Sensação muito boa de matar a saudade, curti à beça.

Hoje posto algumas fotos de que gosto, várias tiradas na época em que trabalhava na Rua da Assembléia, que dedico a meu filho - um apaixonado pelo Rio como eu.

As quatro últimas foram tiradas em Denver (a do bar à noite, em preto e branco) e as demais em Auckland.


quarta-feira, 26 de maio de 2010

Mais fotos de Auckland

Estas fotos foram tiradas em outra ilha, de cujo nome não me recordo.

Uma casa com jeito inglês
















Fiquei encantado com a senhora de chapéu, arranjei um jeito de tirar a foto sem ser notado
















Tirei três fotos aqui (uma postada acima) e não consegui escolher uma para postar.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Fotos de Auckland - primeira parte

Seguem algumas fotos tiradas em Auckland, Nova Zelândia, em agosto de 2009.  Como comentei ao postar fotos de Chicago, foi uma viagem a trabalho de uns quinze dias, passamos um fim de semana em Auckland.

A Nova Zelândia, situada no Pacífico Sul a cerca de 15oo km da Austrália, é constituída por duas ilhas principais e numerosas pequenas ilhas.  Auckland é a principal cidade, com cerca de 1,3 milhão de habitantes; a capital é Wellington, ambas localizadas na Ilha Norte.

Distante das terras mais próximas, a Nova Zelândia desenvolveu um ecossistema único, com a particularidade de ter como únicos mamíferos terrestres três espécies de morcegos.  Em consequência, desenvolveram-se aves singulares, como o kiwi (símbolo do país), incapaz de voar, e a moa, atualmente extinta, que atingia três metros de altura.

Com 3,7 milhões de habitantes, a Nova Zelândia possui um rebanho de ovelhas que chega a 46 milhões de cabeças.

O país, colonizado pelos britânicos, é conhecido pelos esportes radicais e turismo de aventura, que têm a cidade de Queenstown, na Ilha Sul, como destaque.  Lá se pratica skydive, bungy jump, jet-boat; é adrenalina na veia!

Seguem algumas fotos tiradas durante a viagem, em Auckland e na ilha de Waiheke, onde visitamos duas vinícolas:



Recomeço

Tinha 12 anos quando comecei a me interessar por corridas de automóveis e conheci a Fórmula 1 - nessa época, meados da década de 60, desconhecida no Brasil.

Ao recordar sinto ainda a ansiedade com que folheava a revista AutoEsporte, que trazia reportagens sobre as corridas de F1.  Como não sabia quais corridas houvera no mês anterior e muito menos seu resultado, lia as matérias como quem assiste ao vivo pela TV e torcia por meu ídolo Jim Clark.

Acalentava secretamente o sonho de um dia chegar lá, pilotar um daqueles maravilhosos carros que hoje habitam os museus. Sonhando, lia e relia as revistas apreciando as fotos, quase todas em preto e branco.

Corridas de automóveis eram apenas um sonho, mas estudei engenharia mecânica pretendendo trabalhar com automóveis.  Pouco a pouco meu caminho foi-se desviando, a vida é assim.

Há alguns meses chamou-me a atenção na vitrine de uma livraria um livro grande, foto do Ayrton Senna na capa: "PILOTOS - lendas da Fórmula 1".  Entrei, olhei, comprei, em casa percebi ser algo especial: histórias curtas de 72 pilotos de Fórmula 1 com fotografias de Bernard Cahier e seu filho Paul-Henri.

Bernard, falecido em 2008, acompanhou e fotografou a Fórmula 1 desde 1952 até o início dos anos 80, quando cedeu o posto ao filho.

O texto divide os pilotos em seis grupos (*) e foca nos principais traços da personalidade de cada um, informando a que atividades se dedicaram os que sobreviveram à carreira. Isso, mais do que as fotografias, é que torna o livro especial.

Pilotos que abandonaram a carreira precocemente, outros que estenderam-na até a decadência; dotados de férrea determinação para vencer ou buscando sobretudo se divertir; alguns que abraçaram atividades ligadas ao automobilismo, outros que se desligaram completamente da carreira; são fantásticas a riqueza e a complexidade do universo humano.

Há casos de pilotos que abandonaram a carreira subitamente, durante um fim de semana de corrida, no momento de alinhar para a largada ou logo após um treino.

Mas para mim o grande destaque é Jody Scheckter, sul africano campeão mundial em 1979, um "forte", atualmente com 60 anos.  Abandonou o automobilismo em 1980, "emigrou para os Estados Unidos e refez fortuna produzindo um simulador para exercícios de tiro" cuja patente comprara.  Depois voltou para a Inglaterra e guiou os primeiros passos dos dois filhos no automobilismo ("pai responsável, ele disse a Toby que seu destino estava em outra parte").  Iniciando sua "quarta vida", recebeu em 2008 o prêmio de Melhor Criador Orgânico da Inglaterra pela qualidade de seus porcos.

"Para viver uma outra vida é preciso matar a precedente.  Quando partiu para os Estados Unidos, no começo dos anos 1980, Jody deixou tudo para trás, até a mulher.  Em sua casa de Atlanta, nenhuma taça, nenhuma foto lembrava que ele um dia tinha sido campeão mundial: 'Quando cheguei lá eu me instalei num quarto mobiliado.  Eu poderia ter-me instalado em um grande hotel, mas fazia questão de me colocar na disposição mental da pessoa que não tem a possibilidade de voltar atrás se seu projeto fracassar.  Uma vez, em Dallas, eu tentava convencer um xerife das vantagens de meu simulador de tiro.  Ele me virou as costas e me deixou lá, falando sozinho.  Jamais alguém havia feito isso comigo quando era piloto de F1.  Eu passei a vida na primeira classe.  Da noite para o dia, eu me vi na lista de espera…' "

Scheckter diz que abandonou a F1 aos 30 anos "para ter tempo de encontrar novas paixões. Relações públicas?  Não, obrigado.  Eu não queria passar o resto de meus dias a dizer às pessoas: 'Vocês se lembram de mim?  Sou Jody Scheckter, antigo campeão mundial'."

Quantos de nós têm essa determinação, essa força para se manter vivo e viver várias vidas no tempo de uma só, começando e recomeçando?  Tem que ser um forte mesmo, pois para viver uma nova vida é necessário matar a anterior; caminho sem volta, explodir a ponte logo depois de atravessá-la.

(*) estilistas, tenazes, românticos, científicos, acrobatas e fortes

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Doe palavras

Esta idéia é tão boa que peço licença à jornalista e blogueira Tiça Campos para reproduzi-la aqui. O Hospital Mário Penna, em Belo Horizonte, que cuida de pessoas com câncer, criou o DOE PALAVRAS.

Quem quiser envia uma mensagem curta, como no twitter, e durante o dia as mensagens recebidas são exibidas para os pacientes pelas TVs do hospital. É possível enviar mensagens do twitter, colocando a hashtag #doepalavras.

Custa nada para quem envia, vale muito para quem recebe.