quarta-feira, 27 de março de 2013

Começar de novo

Este blog foi criado em 24/4/2010 com o objetivo de postar mais imagens do que opiniões.
No início consegui postar com alguma frequência, depois os posts foram rareando.  O último foi há quase um ano.

Bem que Eduardo me avisou que seria difícil manter a regularidade.

Há alguns dias Patrícia "Tiça" Campos enviou e-mails incentivando meu retorno ao blog.  Carolina Quintani já havia feito isso antes.  Agradeço à Tiça e à Carô pelo estímulo.  Vocês não imaginam o quanto foi importante.

Mas provavelmente eu não estaria aqui tentando sem um comentário da Vânia há algum tempo, durante uma sessão de análise.  Fiz um pequeno discurso indignado com os desmandos que vejo diariamente por todos os lados e ela me perguntou: "Por que você não escreve?"

Desde então venho ruminando esta pergunta sem encontrar uma boa resposta.  Na verdade havia uma resposta, mas era difícil admitir: porque não sei se o que vou escrever interessa às outras pessoas.  Da mesma forma que mantenho milhares de fotos "escondidas no HD do meu computador". (Vânia de novo.  Alguém aí acha que é fácil fazer análise a sério?).

De algum modo acredito que as botas amarelas da Martha Medeiros foram o gatilho.  Há umas duas semanas ela escreveu sobre botas amarelas na revista de domingo do Globo.  Isso parece ter ficado no subsolo do meu inconsciente ("se a Martha Medeiros consegue fazer uma boa crônica partindo de botas amarelas...").  Se alguém tiver interesse em ler, vai encontrar o texto aqui.

Aí é isso, estou de volta tentando me fazer presente com regularidade, no momento mais focado em opinião do que em imagem.

Àqueles que passarem por aqui peço que digam alguma coisa, qualquer coisa.  Critiquem, discordem, reclamem, sugiram, polemizem.  Este é o melhor retorno que posso ter.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

A força de uma frase


Há quase um ano não publico aqui.  Bem que meu filho avisou que manter um blog com postagens regulares seria difícil.  Você estava certo, Edu.

Ainda que sem a pretendida regularidade, cá estou para escrever sobre um meme que vem ecoando insistentemente em meus ouvidos:   VAI LÁ E FAZ!

Este é o lema que o competente pessoal da Perestroika insistentemente coloca para seus alunos. A própria Perestroika tem um excelente texto sobre o assunto, "Foi lá e fez".

Estou participando de um dos cursos deles aqui no Rio (daí o eco em meus ouvidos) e me impressionam a força deste bordão e a variedade de situações às quais se aplica.

Pode significar um estímulo à ação - sentido em que é aplicado no curso, muito bem explorado no texto citado anteriormente.

Cabe também como resposta à crítica de alguém a um suposto erro grosseiro (o caso mais ilustrativo talvez seja o do atacante que perde um gol), com o sentido de "tá achando que é fácil, então vem tentar fazer e vê se você consegue".

Vale ainda para aquelas pessoas que vivem pedindo para fazermos isso e aquilo - hábito muito comum nos filhos. "Vai lá e faz!" serve como uma luva.

E, talvez, em outros contextos que não me ocorreram.

Confesso que ao ouvir vai lá e faz! pela primeira vez, imediatamente me lembrei do slogan de uma famosa marca de artigos esportivos que, em uma tradução livre, é algo como "apenas faça!". (Interessante como a frase só funciona em seu idioma original)
Uma coisa é certa: para os participantes dos cursos em que é dito e redito,  VAI LÁ E FAZ!  se torna inesquecível.

E, admito, serve-me como atenuante de meu sentimento negativo pela falta de regularidade nas postagens neste blog.  Ao menos eu vim aqui e fiz.  Mas isto é assunto para tratar com a Vânia.

domingo, 17 de julho de 2011

MEUS FILHOS, VOCÊS TÊM TUDO PARA FAZER POR MERECER


Circula pela internet um texto escrito pela jornalista Eliane Brum[i] intitulado "Meu filho, você não merece nada", manifestando sua opinião de que a educação que damos a nossos filhos não os prepara para a vida.
Sugiro que leiam o texto, pois as questões abordadas pela autora são pertinentes e, creio, afligem à totalidade das mães e pais pensantes, conscientes e preocupados com o futuro de seus filhos.
Em resumo, ela argumenta que os jovens que se tornaram adultos há pouco tempo ou estão em vias de cruzar essa fronteira não foram educados para lutar pela vida.  Nós, pais de classe média ou acima, demos a eles a oportunidade de estudar em boas escolas, aprender outros idiomas, conhecer o mundo, demos a eles cultura e bens materiais, mas não os ensinamos a lutar para obter essas coisas.
Pior ainda, continua a autora, nós transmitimos a eles o conceito de que vitórias obtidas pelo esforço são menos meritórias e de que é possível viver sem sofrer, como se eles tivessem o direito de ser felizes simplesmente por existirem.
Em decorrência, ao se tornarem adultos esses jovens têm dificuldade para aceitar a vida como ela é: muito suor, necessidade de persistência, vitórias e derrotas, alegrias e sofrimentos.  Por vezes mais sofrimentos e derrotas do que vitórias e alegrias.
Pai que sou, constantemente me perguntei se estava educando meus filhos de forma adequada.  Ainda me pergunto, embora eles sejam adultos jovens.
A resposta?  Fico com a de Oscar Wilde: "As crianças começam amando seus pais; quando crescem, julgam-nos; às vezes perdoam-nos."[ii]
Concordo com a necessidade de transmitirmos a nossos filhos que o esforço é condição necessária para o sucesso; que a vida é feita de bons e maus momentos; que ao longo do caminho eles vão encontrar todos os tipos de pessoas e situações; que perseverar é preciso e precioso; que só eles podem lutar suas próprias lutas, construir suas próprias vidas.
Mas também acho que devemos ensinar-lhes que o objetivo maior da vida é ser feliz, observados os princípios éticos e o respeito ao outro.  E não vejo sentido em negar-lhes conforto e bens materiais, desde que deixemos claro que ao se tornarem adultos eles terão que lutar para obtê-los.
Educar filhos, como viver, é andar no fio da navalha.  Escreveu minha amiga Juliana comentando o texto: "...como medir o ponto certo entre a proteção necessária e a danosa? Erros e acertos que só conseguiremos mensurar no futuro..."
O texto de Eliane Brum é um alerta importante e merece reflexão.  Mas, em minha opinião, a questão é mais ampla: no Brasil de hoje impera a cultura do direito assegurado, herdado, sem necessidade de esforço, diariamente reforçada pelos (maus) exemplos da classe dominante.
Recentemente, vale lembrar, tivemos um presidente que se vangloriava de ter chegado ao posto sem estudar.
Se quisermos construir uma nação melhor e mais justa, temos que lutar para mudar esse conceito, para restabelecer os princípios e valores éticos lamentavelmente tão achincalhados nos últimos tempos.  E isso começa pelas nossas atitudes e pela educação de nossos filhos.


[ii] Em O Retrato de Dorian Grey, publicado em 1890. No original: "Children begin by loving their parents; as they grow older they judge them; sometimes they forgive them"

segunda-feira, 4 de julho de 2011

COMENTÁRIOS NO BLOG QUE NÃO APARECEM

Algumas pessoas me informaram ter feito comentários no blog, mas parece ter havido algum problema, pois os comentários não aparecem.  Pode ser falha no blog ou equívoco ao postar o comentário.
Peço desculpas pelo ocorrido, solicitando àqueles que o desejarem que refaçam seus comentários, pois alterei a configuração para tentar sanar o problema e reduzir a possibilidade de engano ao postar.
Obrigado e um abraço,
Ney

domingo, 3 de julho de 2011

MUDANÇA: NOVAS POSSIBILIDADES

É atribuída ao filósofo grego Heráclito, que viveu cerca de 500 anos A.C., a afirmação de que "nada é permanente, exceto a mudança".

E assim tem sido ao longo do tempo.  Mas a crescente velocidade das mudanças nas últimas décadas, resultado principalmente do desenvolvimento tecnológico, exige que o processo de transição[1] seja acelerado de uma forma para a qual não estamos preparados.  As pessoas que hoje têm mais de 45 anos (entre os quais me incluo) vivem em um mundo radicalmente diferente daquele no qual nasceram e cresceram: tecnologia, linguagem, cultura, expectativas, é tudo novo, tudo diferente.

Em muitos casos as inovações foram incorporadas ao nosso dia a dia quase sem percebermos: quem de nós concebe viver sem telefone celular e sem internet?  Mas para muitos de nós telefone celular e internet ainda são duas coisas distintas.  Ao nosso lado, seja no trabalho ou em casa, convivemos com jovens permanentemente conectados aos amigos usando seus smartphones, twitter, redes sociais, etc.  São pessoas com motivações e expectativas diferentes das nossas, uma diversidade por vezes difícil de superar.

As diferenças são tão marcantes que foram criadas denominações como “geração X”, “geração Y” e “geração Z” para distinguir grupos nascidos ao longo de pouco mais de quatro décadas.  Não raro essas diferenças se traduzem em dificuldade de convivência de difícil superação.

Por outro lado há um universo de novas possibilidades decorrentes dessas mudanças, a questão é estarmos abertos para percebê-las.  Não vou neste momento falar de novas empresas como Google, Amazon e outras;  isto pode ser assunto a ser tratado no futuro.  O que desejo agora é destacar conceitos, como Linux, Wikipedia e outros, que indicam ser viável uma nova forma de organização menos hierarquizada, com maior liberdade, baseada no compartilhamento, auto organizada, eficiente.

Será o embrião de um mundo melhor?


[1] A postagem anterior, de 26 de junho, estabelece a distinção entre mudança e transição.

domingo, 26 de junho de 2011

DE VOLTA, APÓS LONGA AUSÊNCIA


Outro dia recebi tweet de uma amiga comentando que meu blog estava abandonado e perguntando se eu havia desistido dele.  O abandono era verdade, a desistência não.  Meu filho avisou, quando criei o blog, da dificuldade de postar com regularidade.  Caí na armadilha, priorizando outras coisas e abandonando o blog, como bem observou Carolina.
O blog não foi a única vítima deste período: a fotografia esteve igualmente abandonada e algumas outras atividades prazerosas, em boa medida, também.  Não sei quando postei pela última vez (estou onde o wireless não alcança), possivelmente a época indicará os motivos para tanto.
Como abandonado não é morto, o blog permanece na nuvem e os equipamentos de fotografia no armário, prontos para serem reativados.
Quase meio-dia de um domingo ensolarado de inverno, aproveito a paz para refletir sobre o futuro, embalado pela boa MPB que o iPig rosa kitsch toca sem parar.
Há poucos dias terminei a leitura um livro, infelizmente não publicado em português, cujo título seria "Transições - entendendo as mudanças da vida"[i].  Escrito há 25 anos permanece atual, pois aborda assunto visceralmente ligado à condição humana.
Há dois pontos colocados pelo autor que não podem deixar de ser mencionados: a distinção entre mudança e transição e as fases de qualquer processo de transição.
Mudança é um evento (externo) que de alguma forma interfere em nossa vida.  Transição é o processo psicológico (interno) pelo qual passamos para nos adaptar à nova condição.  Creio que o exemplo mais claro é o falecimento do cônjuge (mudança) e o processo de luto e adaptação à nova vida (transição).
Todo processo de transição é composto por três fases: o término da condição anterior, o início da nova condição e, entre os dois, um período marcado por confusão mental, perda de identidade e de sentido, durante o qual ficamos sem rumo e sem prumo, que eu chamo de "período de crise"[ii].
Cabe observar que transições não ocorrem somente em mudanças "para pior"; o nascimento de um filho, uma promoção no trabalho, ganhar uma bolada na loteria também exigem que passemos pelo processo.
Muitas das questões colocadas por Bridges são semelhantes a aspectos abordados por Hermínia Ibarra no livro "Identidade de Carreira", felizmente disponível em português.
Estou em pleno processo de transição, preparando-me para o que os jovens da geração Z talvez chamem "passar de fase no game Real Life".  Traduzindo para a linguagem boomer, aposentar-me e dedicar-me a outras atividades.
Vários companheiros (por favor, sem qualquer conotação ParTidária) têm tomado suas decisões, impelidos por diferentes motivações.  Esta diversidade de escolhas é um dos aspectos mais fascinantes da humanidade.
Dentre os que optam pela aposentadoria há desde os que querem usufruir da liberdade de fazer nada, dedicar-se a um hobby, viajar, curtir os netos, até outros que continuam trabalhando com a obrigação de ir ao escritório de segunda a sexta em horário determinado.
Há outros que decidem não se aposentar, seja porque têm ambição de galgar postos mais elevados na carreira ou porque não querem abrir mão de parte de seus rendimentos - consequência usual da aposentadoria, mesmo para quem dispõe de plano de previdência privada.  Esses estão, de fato, postergando a decisão enquanto lhes for conveniente.
Não cabe formar juízo a respeito de decisões tão pessoais como essas, cujas motivações por vezes não estão perfeitamente claras mesmo para o protagonista. 
No meu caso as questões envolvidas vão desde a perda salarial até por quanto tempo terei condições de aproveitar a vida, passando por o que quero realmente fazer agora?  Essas questões levam a reflexões que podem não ter fim, como os espelhos das antigas barbearias, um em frente ao outro, refletindo-se ao infinito em verdadeiro labirinto.
Quando criança divertia-me com os inúmeros reflexos na barbearia.  Agora tenho que encontrar meu caminho distinguindo imagens reais de reflexos.
Por fim, respondendo à Carolina, não desisti do blog.  Dependendo da escolha que faça, talvez possa dedicar a ele tempo suficiente para postar imagens e opiniões com frequência.



[i] Transitions - making sense of life's changes, William Bridges
[ii] Bridges chama este período de "zona neutra"; acho que "período de crise" descreve melhor esta fase.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Mais um ano que finda


Mais um final de ano está aí.

Quando eu era criança, um ano era uma eternidade, meu aniversário não chegava, o Natal demorava e demorava.  UM ANO, quanto tempo!

As coisas mudaram, o ritmo em que vivemos é outro e atualmente mesmo as crianças têm a percepção de que o tempo passa rápido.

A vida, essa maravilhosa e inexplicável mágica que cada vez mais me encanta, acompanha a passagem do tempo e se acelera, tornando-se paradoxalmente mais curta apesar de vivermos mais tempo.

Final de ano é tempo de festas, reunir amigos, família, confraternizar.

Para muitos, infelizmente, a festa se torna dor, ferida que não cicatriza. Para esses, o final de ano se torna amargo para sempre.

Não é o que desejamos àqueles que amamos e nos amam.  Vamos curtir a festa, brindar, abraçar os amigos e a família, cantar, dançar, comemorar.  Mas não vamos estragar a festa maior, que é a vida, por falta de responsabilidade.

O video a seguir é forte, mas retrata com fidelidade no que a festa pode se tornar.  Só depende de nós.




Desejo a vocês que me lêem um final de ano com muita alegria e que a festa da vida continue.